

Se o amor um dia foi livre, hoje , o homem o prendeu em quatro paredes, este animal selvagem falido como bichinho de estimação. Em quatro paredes, perdeu tua cor, suas asas caíram, o amor surto.
Se o amor um dia for livre, tudo terá sua cor, não existira peso sobre este leve amor, Mas em quanto isso, o amor esmaga, estraga, não pode ser amor.
31/01/1012
Marcelo Felipeti J.
Prostrado em amargo desprezo, deslizo nas laminas afiadas de meus pensamentos, e nem mesmo os ventos me tocam a face dura, distante, angustiada de quem se da conta mais uma vez, que basta-me confiar o meu céu para em troca jogarem-me ao inferno de perjúrio, infiel.
Aqueles que em minha vida amei, minha menininha a dama e o rei, por todos caro paguei, é que simplesmente confiei, e nesta de confiar amarguei.
Pari uma mentira em areias desertas, o calor faz com que exale este cheiro putrefato, deste feto infeliz, puseram meu amor numa balança, agora é fruto podre no mercado, em meus sorrisos, encontro de rios de lágrimas e desesperança, ou aquela criança já muito esquecida de face partida.
Marcelo Felipeti J.
Sonhei certas noites, que o amor era leve, que o amor era poesia em todas suas formas, o amor dançava perpétuo as horas sem se cansar, uma vida inteira sem parar. Em quanto vivi me confundi em sonhos, o amor me vestiu de palhaço tristonho, só eu não ri, só eu não vi a tempestade se aproximar. Em toda chuva dancei sozinho, ainda com os trajes de bobo da corte. Jurei as nuvens que me viram chorar, ao pássaros que me ouviram gritar, que seria dali adiante, um austero e nobre homem que não mais iria amar. Observei então seus gestos elegantes, suas cortesias insinuantes, teus diamantes frios e duros, tua sobriedade e vaidades, teus amores de tratados. Bastou-me, recolhi meus trajes de palhaço, vesti-me cuidadosamente como sempre o faço, busquei a nuvem mais pesada e, dancei sem questionar mais nada.
27/01/2012

Certas coincidências tornam-se líricas em nossas vidas, até mesmo decisiva em nosso rumo, a mesma frese juntos pronunciada, um chapéu que voou naquele determinado momento e pousa sobre teus pés, unindo duas vidas as quais somente naquele exato dia suas portas para uma aproximação estariam abertas, por mais uma coincidência. Uma coincidência mau interpretada pode mudar a historia, ou transformar eventualidades em Deuses, e sem duvida, muitas delas escreveram grande parte da historia da humanidade. Uma coincidência pode ser um ponto final, decisiva para um desvinculamento sem retorno, como um livro que se começa no mesmo dia que sua vida encontra um romance, e coincidentemente se rompe, na mesma noite em que o termina. Como somos românticos e cheio de poesia supersticiosa em nosso dia a dia, movidos por ignorância ou uma necessidade de embelezar a brutalidade da realidade, desvulgarizando vulgarmente, o que ditamos vulgar na natureza, ou simples artistas que manobram eventualidades esculpindo-as.
23/01/2011
Pregada na cruz menina-mãe, escrava de teus fantasmas, profundas estacas perfuram tuas mãos e sonhos, voam corvos delírios ao teu redor, beliscam tua alma.
Pare teu filho entre escombros fantasmagóricos, o qual tira da sordidez tua arte, dos céus despencam tempestades, água mesma serve de beber, afogar, lavar, ou só uma paisagem para observar. De seu reino de trevas pode notar todos patinarem na lama, sem se dar conta estar suspenso em nuvens tempestuosas.
A beleza da inocência é crer nas mascaras que encobrem os monstros, felicidade acorrentada a pesa pedra da ignorância, traz a verdade sua insustentável leveza. Fez-se o medo da solidão, e se pode ouvir os gritos de dor, a santa não era virgem, o amor não é incondicional, e a segurança é um dente de leão num vendaval.
Criança estranha, que numa mão seu primeiro dente de leite, noutra, o pesado conhecimento da infelicidade, logo , Deus estava empoeirado junto dos contos de fadas, e seu corpo tinha uma nova fome, um jogo perigoso.
23/01