sábado, 9 de julho de 2011

Desejo-te mas não muito, vai ver é só o meu vazio habitual pedindo para ser preenchido,

Olhos latinos, brilho voraz, sussurros estrondosos,

Agrada-me teus beijos mas existe uma malícia que me põem a cismar,

Afasta-me certas palavras tuas, desejava um sabor mais inocente talvez, ou algo que me fizesse diferente, não mais uma aventura,

Foi o casual que se tornou freqüente, o ardente que pediu sentido pós queimar, opostos colidindo-se,

Desagrada-me pensar que talvez seja apenas um ponto fraco e não o meu toque,

Perturba-me pensar que tuas convulsões seja apenas uma perversão natural,

Percebo não poder te agradar demais, apagaria tuas chamas pecaminosas?

Mas o que tenho em mente? Por que incomoda-me tanto tais pensamentos, somos opostos sem sentido, não falamos a mesma língua elas mesmas entendem-se por si

Observo-o, penso, até onde vais? Encontro em mim tendências ao canibalismo, quero devorar-te, telo em mim, mastigar-lo. Não te desejo muito assim? Contradigo-me, passo a passo como num tango.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Meus joelhos doem, muito,

Meus olhos pouco vêem , muito sabem,

Minha boca tem sede, muita, muito tremula,

E tenho muita presa, corro, e não os vejo mover-se.

Meu peito doe, a angustia comprime-o as costelas,

Meu ar está longe, muito, não posso respirar,

Não entendo a calma, todos estão ruídos,

Não entendo a demora, a vida moída, miúda se esvai,

E ninguém nada, nada é, nada faz, nada sente, nada vive.

Enterrer le film en noir où votre vie?

OÙ VOUS enterrer le film en noir de votre vie? Le monde est noir le film de vos rêves.

Nanquim, café , aquarela,

Sons, musicas e visões,

Coração, pulmão, cérebro,

Medo, fome, ilusão

Sonhos, utopias, amores,

Sexo,drogas, cimento,

Contos de um bico de pena.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Me ponho a pensar aquilo o que o tempo esqueceu, a sentir o que o agora insiste em ser, perscrutando o depois, perquirindo-me, tu crescendo em minhas entranhas e teu cuspe quente em cada vaia de meu corpo, desejo seu toque tua pele na minha, assisto o filme de nossas utopias diante de meus olhos.

Chorando o talvez, desfaço as certezas, rindo do que sou , do que pensam que sou e do que querem que eu seja, guardando os que foram, abraçando os que irão, carregando os sonhos, abluindo as ilusões, nada será em vão. E neste mesmo segundo, observo vocês, atentamente, seus olhos tristes, seus gestos angustiados, e todas as boas noticias pouco duram, pouco mudam , e se mudou , os teus olhos continuam os mesmos, os gestos apenas um pouco mais treinados. E neste mesmo segundo temo os laços, sofro as trevas dos Deuses metafísicos, sangro nas correntes do cotidiano, vivo o que não sou no deserto das circunstâncias, urrando na anciã sobre o que elevam o certo elegendo o errático , vomito mareado a embriagues da realidade, sou insano compreendendo a vida, sou criança sonhando a felicidade, sou perverso desejando o fruto. O que falo é de um segundo, um segundo vago, de olhar vago, achando estar vazio, pouco sabem os segundos sobre mim.

terça-feira, 14 de junho de 2011


Vamos apenas criando, e enterrando nossa radioatividade em nós mesmos, hora ou outra seremos um grande tumor. Vamos permitindo, que criem os venenos para que possamos comprar os antídotos. Vamos permitindo que nossos filhos sejam mutações radioativas dos nossos próprios antídotos.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Quando não estou gozando o mel de tuas palavras, tudo se torna pequeno, hirto. A morfologia da minha existência se torna complexa. Tomo minha carraspana num vazio e me torno ilusão. Quando por acaso estou apreciando em meio ao verde o sol enternecido e não a noite fria, abrumada, em outros tempos logo desejava seguir estrada sem rumo, para por acaso te trombar. E agora... Essa estrada ainda se estende aos meus olhos febris, mas nela você ao meu lado.

Ambos sabemos que tudo isso pode ser apenas uma loucura, uma angustia interior que nos deu um placebo. Mas acreditamos na mesma loucura, como o mundo acredita na loucura a qual se vive essa histeria coletiva concretizada.

Nossas figuras iconoclastas tumefactas de amor e utopias, esgouridos por harmonia e liberdade, intrico-inerentes.

Apenas sou real por que você acredita em mim. Eu acredito em você.