

Nanquim, café , aquarela,
Sons, musicas e visões,
Coração, pulmão, cérebro,
Medo, fome, ilusão
Sonhos, utopias, amores,
Sexo,drogas, cimento,
Contos de um bico de pena.
Me ponho a pensar aquilo o que o tempo esqueceu, a sentir o que o agora insiste em ser, perscrutando o depois, perquirindo-me, tu crescendo em minhas entranhas e teu cuspe quente em cada vaia de meu corpo, desejo seu toque tua pele na minha, assisto o filme de nossas utopias diante de meus olhos.
Chorando o talvez, desfaço as certezas, rindo do que sou , do que pensam que sou e do que querem que eu seja, guardando os que foram, abraçando os que irão, carregando os sonhos, abluindo as ilusões, nada será
Quando não estou gozando o mel de tuas palavras, tudo se torna pequeno, hirto. A morfologia da minha existência se torna complexa. Tomo minha carraspana num vazio e me torno ilusão. Quando por acaso estou apreciando em meio ao verde o sol enternecido e não a noite fria, abrumada, em outros tempos logo desejava seguir estrada sem rumo, para por acaso te trombar. E agora... Essa estrada ainda se estende aos meus olhos febris, mas nela você ao meu lado.
Ambos sabemos que tudo isso pode ser apenas uma loucura, uma angustia interior que nos deu um placebo. Mas acreditamos na mesma loucura, como o mundo acredita na loucura a qual se vive essa histeria coletiva concretizada.
Nossas figuras iconoclastas tumefactas de amor e utopias, esgouridos por harmonia e liberdade, intrico-inerentes.
Apenas sou real por que você acredita
Pareceria sadismo de certo, se eu disser que acho fascinantes esses teus olhos e lábios tristes, refletidos em águas plácidas, solidas de um espelho que muda seu interior conforme a gente que de frente observa submerso, teu mundo, e nestes olhos de sonhos esféricos suas angustias e utopias escorem ao peito, e eu , entre a respiração que me falha, engulo suas lagrimas fascinado, guardando-as ao peito, tocando seus lábios na imaginação. A verdade é que, teu raro sofrer igualmente me domina, e nesta chama orgulho-me em queimar.
A um amigo.

Permaneço na mente, não estou armado e não me permitem sair, permaneço num paradoxo, carrego sabores alucinógenos, permaneço intensamente, não de quem mente, daqueles que sentem e sabem, eu sei o que falta, mas espero que você saiba também. Não existe clichês se você sempre viveu ausente, permanentemente não banalizará as palavras se angustiosos sonhos te fazem delirar em terra firme, só peço que te permita, e não se assuste, a principio as formas dos que viveram em sombras catatônicas apresentam-se abstratas, sua voz ecoa destorcida, mas seus olhos contem brilho, seus gestos não condizem com o que tenta dizer, mas apenas tenta dizer amor, depois, pode pensar que não existe mais mistérios, mas é quando sua capacidade de acreditar que existe se dissipou apenas em imagens, mas se isso não acontecer, solidificará edificando-se cupulares e extraordinárias estruturas, amor é harmonia, uma nota que ressoa perpetuamente.